VELOTERRA

VELOTERRA

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Um curto circuito
de terra batida
é o desafio
do piloto intrépido
que pilota
sua moto
com muitos
decibéis de potência
e incríveis
cavalos de som!

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CURIMBATA

Curimbata

Foi em Corumbá
que curumim
cumeu curimbata
frito em
frigideira de ferro.

Cunhã cunhou
A forma da fôrma
e temperou
o paladar.

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ANCELMO, TRAGA MEUS CHINELOS

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– Ancelmo, traga meus chinelos!

– Mas, “sêo” Edú, o quê é “chinelos”?

– Você não sabe o que é chinelos?

– Não sinhô. Conheço chinelo, mas “chinelos”, não.

– Criatura, sabe contar? Vamos lá, um “chinelo”, dois “chinelos”, entendeu? “Chinelos” quer dizer dois chinelos, um par, entendeu, ô batráquio, ou preciso desenhar?

– Hum, “tendi”, “chinelos” quer dizer dois “chinelo”, um par de “chinelo”! BINGO! “Tendi”!!!  Xácumigo, “sêo” Edu, seu par de “chinelo” já está vindo.

O ANCELMO TROUXE OS DOIS “CHINELO”. DOIS “PÉ DIREITO”!

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A PAIXÃO PELA ESTRADA É HERANÇA DE FAMÍLIA

A PAIXÃO PELA ESTRADA É HERANÇA DE FAMÍLIA

Neu Spatti (José Irineu Spatti, conhecido como “Comanche” na rede PX) tem uma história de estrada recheada de recordações, algumas boas, outras nem tanto. Uma história de paixão pela liberdade de ser dono do seu próprio destino

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“Meu pai era caminhoneiro e sempre transportou cana. Então, desde criança a minha vontade era seguir os passos dele. Um dia o destino acabou nos levando pra roça, fazer plantação de milho, arroz e feijão. Mas, meu sonho de ser caminhoneiro, de ter o meu caminhão, nunca morreu. E consegui realizar. Hoje tudo o que eu tenho, uma casa e uma família formada, conquistei graças ao caminhão.

Aprendi a dirigir num jipe 48 e comecei na estrada em 1977 transportando cana, igual meu pai, com um Chevrolet 76, no toco. Foi na Usina São João, em Araras. Meu tio me deu a oportunidade de mudar de vida e eu aproveitei. Nessa época eu trabalhava na roça com meu pai, era uma família grande, quinze irmãos, e eu fui o primeiro a sair da roça e passei a transportar cana como motorista profissional. Fiquei na Usina São João durante vinte e uma safras transportando cana e nas entressafras fazia transporte para o Brasil inteiro. 

Como carreteiro, foi a partir de 1979 que comecei transportando cimento, minério de níquel, cargas variadas. E em 1988 dei por encerrada a minha vida de estradeiro. Mas, tenho muita história pra contar desse tempo vivido na boleia. Foram muitas alegrias, muito mais alegrias do que sofrimento, numa época em que se ganhava dinheiro, hoje, não. Hoje está muito difícil para a classe, defendo com unhas e dentes a classe dos caminhoneiros – eu ainda me considero parte integrante dessa classe – mas, a vida está cada dia mais difícil pro caminhoneiro.

Das lembranças boas que ficaram tem a história de um socorro que prestei para um amigo uma vez. Ficamos três dias na estrada nessa aventura. A gente estava indo pra João Pessoa, na Paraíba, ele dormiu na direção, entrou com o caminhão pelo cerrado adentro. A hélice amassou toda a colmeia do radiador e tivemos que consertar improvisando com durepoxi. Eu, meu amigo Osmar e seu filho levamos três dias pra conseguir terminar o “conserto”. Infelizmente hoje os dois já não estão mais entre nós. Essa é uma história que eu me orgulho de contar porque eu fiquei três dias dando suporte tanto na alimentação quanto suporte técnico pra eles na estrada.

Outra história que marcou aconteceu em 1984 eu fiquei vinte e oito dias fora de casa. Na verdade, não foi bem uma viagem, foi uma estadia que eu fiquei no Paraná trabalhando no transporte de milho a granel. Então, ficar vinte e oito dias fora de casa com uma filha pequena e longe da família foi muito difícil. Foi a viagem mais longa que eu fiz, a que me deixou mais tempo longe de casa.

Também tive momentos difíceis na estrada, já corri de ladrão indo pra Belém, já socorri um ônibus que estava transportando um time de futebol e se envolveu num acidente em Goiatuba com um caminhão que vinha de Belém carregado de madeira. Foi uma situação bem complicada porque três jogadores morreram na cabine do meu caminhão. Eles tinham ido inaugurar uma praça de esportes em Morrinhos. Essa foi uma viagem que me deixou muito triste.

A viagem mais complicada foi uma que eu fiz transportando algodão lá do Paraná pra Leme, em São Paulo. Foi complicada por que eu fiz a viagem inteira sem embreagem Uma carga alta, de pluma de algodão, chovendo e eu sem embreagem nenhuma. Garanto pra vocês que foi um sufoco danado, mas consegui chegar em segurança, sem sofrer nenhum acidente. O maior percurso que eu já percorri numa viagem foi a rota São Paulo-Belém, uma viagem que fiz muitas vezes.

Depois que parei de viajar continuei em contato com a vida de caminhoneiro atendendo os colegas da estrada na manutenção dos seus equipamentos de radiocomunicação PX, uma ferramenta muito útil pra quem muitas vezes depende de um apoio, de um socorro ou até mesmo precisa mandar um recado pra família e dizer se está tudo bem. Tenho uma oficina bem aparelhada para fazer esse trabalho e clientes e amigos em todas as estradas. Não posso reclamar da minha vida!”.

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FL(C)ORES

img_1568aUm dia
você vai
descobrir
todas as
fl(c)ores
que eu
deixei
escondidas
debaixo
do seu
travesseiro!

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Cântico Negro

Aturdido

“Vem por aqui” – dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui”!
Eu olhos-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
– Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam os meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: “vem por aqui”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como…

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E fui…

E FUI… (um samba de breque)17382_513801558678621_1292728305_n

Estava eu caminhando
calmamente pela calçada
dando uma boa talagada
no gargalo
da minha garrafa
de rabo-de-galo,
quando ele apareceu, se aproximou
pra me dar uma dura.

Carinha de menino bom,
terno e gravata
(pura bravata!)
cara de pastor da igreja universal,
bíblia na mão, sério,
foi dizendo:
“-Que vergonha, meu “tio”, bebendo na rua!!!”

Tomei mais um gole,
limpei o canto da boca
e o pigarro do gogó,
olhei no fundo dos olhos dele
e falei:

“-Não minino!, não estou
bebendo na rua,
estou bebendo na garrafa.
Se estivesse bebendo na rua,
estaria de quatro, rastejando
e lambendo o chão,
igualzinho a você
lambendo a sola do sapato
DO SEU PATRÃO!!!!!!!!!!!!!

(breque)

E Fui…

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